Acabei de ouvir o pronunciamento
da Dilma. Galera, acho importante escutarmos o que ela tem a dizer e não
focarmos no que gostaríamos que ela falasse ou prometesse, pois, se agirmos
dessa forma, estaremos praticando audição seletiva e o turbilhão de críticas
será maior que o de cobranças.
Tenho muitas críticas pessoais ao
processo como vem sendo tratada a questão da saúde no Brasil, porém aqui só vou
realçar itens importantes na fala da presidenta e que acredito que devamos cobrar.
Sei que muitos itens ainda estão longe dos nossos ideias, mas precisamos
começar de algum lugar se não poderemos nos tornar somente um movimento
reclamão. Lembro que devemos reclamar e reivindicar, mas não só!
A primeira coisa a realçar foi o
apoio dela às manifestações. Reforço o que já falei com alguns amigos,
construir um movimento pela violência não é o caminho, principalmente quando a
violência incide fortemente na depredação de bens públicos, bens este que eu,
você, nossos familiares, todos usam.
Foi citada pela presidenta a
revogação no aumento das passagens! Muito bem, mas que esse dinheiro não seja
retirado dos demais segmentos, como a saúde e a educação.
O que ela disse e acredito que
devemos cobrar, não só da Dilma, mas também do SENADO!
- Ampliar as estratégias de
combate à corrupção e de desvio dos recursos públicos;
- Elaboração de um plano nacional
de mobilidade urbana, privilegiando o transporte coletivo;
- Destinação de 100% dos
royalties do petróleo para a educação;
- Trazer milhares de médicos do
exterior para ampliar o atendimento do SUS;
- Criar instituições públicas
mais transparentes;
- Viabilizar uma reforma política
que inclua a participação popular;
- Ampliar a lei de acesso à
informação a todos os poderes da República, fiscalizando o uso correto do
dinheiro público.
- Cobrar que o dinheiro que foi
utilizado para financiar os estádios da Copa retorne.
Dessa vez não quero me estender,
mas só terminar com algumas críticas que penso serem importantes. Ao final do
pronunciamento, a presidenta reforçou que saúde e educação são prioridades,
portanto que sejam tratadas como tal, importar médicos estrangeiros pode ser
uma solução que está surgindo, porém não resolverá os graves problemas do nosso
Sistema Único de Saúde, mesmo com a importação de médicos, continuaremos com um
sistema de saúde subfinanciado e com graves problemas de gestão. O médico
sozinho não será o profissional que vai mudar a realidade do sistema, as
condições de trabalho são ruins para todos. Não quero ficar comprando brigas
corporativas, quero apostar em soluções que modifiquem a realidade da saúde em
nosso país e, no momento, precisamos de mais médicos SIM! Porém, isso não pode
ser encarado como um plano de organização da saúde em nosso país.
Por fim, vale destacar que
vivemos em um federalismo com três unidades da federação autônomas. Tirar o
presidente não significa a solução dos problemas do país. Tirar para colocar
quem?! Vamos chamar eleições representativas e democráticas novamente?! O povo participará dessa escolha?! Devemos
entender como funciona o nosso modelo de organização política antes de ficarmos
repetindo um discurso que me aprece vir mais da alta burguesia.
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