Ao chegar ontem a noite em casa,
feliz, perplexa e preocupada com os amigos que ainda estavam nas ruas do centro
do Rio, fiquei bastante pensativa e me questionando se externalizava ou não
minhas emoções... Por fim, resolvi escrever e acabei escrevendo muito.
Primeiramente queria reforçar que
pensei que nunca iria vivenciar um movimento popular com tanta força. Pensei que
nunca fosse ver diferentes movimentos caminhando juntos em um movimento com
causas meio embaçadas e plurais. Movimentos que mostraram ter em comum a insatisfação
com o descaso como vem sendo tratada a coisa pública. Movimentos que
encontraram nos R$ 0,20, como diriam os sociólogos, um fato que provocou
indignação, levando a uma cascata de informações e pedidos. Sem dúvida, R$ 0,20
se tornou um símbolo das demais injustiças sociais.
Na verdade, as pessoas já estão insatisfeitas há muito tempo. Apesar dos distintos grupos construírem suas pautas separadamente, nós, enquanto cidadãos, dialogamos sobre tudo isso, o tempo todo, seja pela internet, nos ônibus, no metro e etc. Ontem, 20/06, vimos todas essas reivindicações juntas e misturadas. Infelizmente, junto a este movimento, também estava presente o movimento de vandalismo que, como não é novidade, sempre se aproveita dessas situações para poder marcar presença e ganhar o gosto da mídia. Mais infelizmente ainda, temos uma policia que é treinada para “dar porrada” em bandido e que, em qualquer sinal de vandalismo, cai pra cima de todos, provocando um caos inicial que, consequentemente, leva a um caos coletivo (saques, assaltos, depredações...). Destaco que por volta das 16h eu estava passando pela cidade nova a caminho do Largo de São Francisco para encontrar amigos e organizar as pautas da saúde a serem defendidas na manifestação, o cerco policial que se preparava e que blindava o prédio da prefeitura era crescente. E nesse crescente embate com a polícia, uma pergunta que vem ecoando é: Como está caminhando a segurança pública para as grandes manifestações?... Parece que vem caminhado aos moldes de períodos antigos...
Na verdade, as pessoas já estão insatisfeitas há muito tempo. Apesar dos distintos grupos construírem suas pautas separadamente, nós, enquanto cidadãos, dialogamos sobre tudo isso, o tempo todo, seja pela internet, nos ônibus, no metro e etc. Ontem, 20/06, vimos todas essas reivindicações juntas e misturadas. Infelizmente, junto a este movimento, também estava presente o movimento de vandalismo que, como não é novidade, sempre se aproveita dessas situações para poder marcar presença e ganhar o gosto da mídia. Mais infelizmente ainda, temos uma policia que é treinada para “dar porrada” em bandido e que, em qualquer sinal de vandalismo, cai pra cima de todos, provocando um caos inicial que, consequentemente, leva a um caos coletivo (saques, assaltos, depredações...). Destaco que por volta das 16h eu estava passando pela cidade nova a caminho do Largo de São Francisco para encontrar amigos e organizar as pautas da saúde a serem defendidas na manifestação, o cerco policial que se preparava e que blindava o prédio da prefeitura era crescente. E nesse crescente embate com a polícia, uma pergunta que vem ecoando é: Como está caminhando a segurança pública para as grandes manifestações?... Parece que vem caminhado aos moldes de períodos antigos...
Durante a passeata, consegui
chegar até a altura do Hospital São Francisco, próximo a Nova CEDAE, sem
nenhuma tentativa de violência generalizada. Nesse mesmo momento, o pessoal da
linha de frente chegou à prefeitura e iniciou-se a confusão. Fico me questionando
como que um movimento que caminhou tanto, sem nenhuma violência generalizada,
ao chegar à porta da prefeitura e encontrar a polícia, de repente se perde e,
iniciam-se tiros, bombas e correria. Certamente ocorreu ali uma tentativa de
dispersar o movimento. Incitar uma violência assim que o primeiro grupo chegou
prefeitura pra mim foi uma forma clara de quebrar o movimento e dispersar a
multidão. Ressalto que no decorrer da marcha, antes de se chegar à prefeitura,
atos de vandalismo eram reprimidos pelo público. Como já dizia, se gentileza
gera gentileza, violência gera violência.
Acho que todo movimento que se propõem
a ser revolucionário quando ocorre, as pessoas realmente devem se sentir perdidas,
pensando o que estão fazendo, se devem ou não participar das mobilizações, inclusive,
me incluo nesses momentos de crises interiores... Devemos lembrar que os livros
de história já nos mostram as histórias dos movimentos organizadas, analisadas
e cronologicamente feitas. Somos treinados, desde o jardim de infância, a
analisar, categorizar e esquematizar, porém, quando nos vemos no olho do furacão
e tão próximo do objeto de análise fica muito difícil fazer isso. Para os meus
colegas da Saúde Coletiva, fica muito difícil colocar isso em uma tabela 2x2,
porque a vida não é 2x2!
Nos movimentos tradicionais que
estudamos víamos rostos puxando o movimento, digamos líderes carismáticos
tradicionais. Pelo que vivenciei, percebi que não temos um líder carismático
único, mas isso não significa que não tenhamos uma liderança, temos, digamos,
uma liderança coletiva que precisa ser melhor estudada. Além disso, não é
porque não temos um líder único que isso signifique que não estejamos pautando
uma organização. Todos os segmentos presentes pensaram, minimamente, em uma bandeira
para levantar. Para todos os lados que olhava, no decorrer da caminhada, via
diferentes reivindicações. Pode até ser caracterizado como um movimento sem
liderança concreta única, mas não penso que sem propostas, o que mais vi e ouvi
foram propostas, não novas, mas antigas. Deve-se observar também que não se
trata de uma criação brasileira, manifestações com esse estilo, estão acontecendo
em várias partes do mundo.
Antes mesmo de postar esse texto
olhei o que alguns colegas escreveram e teve um tipo de fala que me irritou bastante,
principalmente aqueles que contabilizam o movimento: 50% era isso, 30% aquilo,
20% acolá... Provavelmente fizeram um inquérito na velocidade da luz para tal
cálculo. E o melhor é que tais pessoas se enquadram na porcentagem da minoria
pensante que é a luz da LUZ, tendo uma puta capacidade de se afastar do objeto
e fazer uma análise do estado da arte. Sinceramente, não consigo me incluir
nessa minoria da Luz, primeiro porque não sei nem direito por onde começar uma
análise para fatos que vem acontecendo, segundo porque os meus discursos se
confundem na minha própria mente, dessa forma, prefiro me colocar nos meus
simples “achismos” dos fatos.
Outro ponto que não se pode
deixar de mencionar é a utilização do Facebook e demais redes sociais para a
mobilização e construção de uma agenda, mesmo que difusa. Com certeza a
internet teve uma capacidade muito grande de aglutinar diferentes grupos, não
só no Rio, ou no Brasil, mas também no mundo, com pequenas mobilizações de
brasileiros residentes em outros países que concordam com a causa, melhor, com
as causas. E, nessa onda da internet, também são crescentes as postagens das
pessoas falando daquelas pessoas que só querem tirar fotos na manifestação para
publicar em seu Facebook e Instangran. Sinceramente, também acho que é uma
parada bizarra, mas é o que vem junto com o bolo da facilidade da comunicação
virtual, as pessoas querem externalizar na internet a sua participação, seja
para postar fotos legais com seu novo look, ou então sua opinião sobre os fatos.
As pessoas querem ser vistas! Se existem aquelas que fazem seus looks para
postar no facebook, ora bolas, que também tenham aquelas que façam suas
análises e opinões políticas para postar, ao invés de só ficar falando daquelas
que postam fotos new styles.
Outra questão: partidários x
apartidários. O que começou com uma bandeira de neutralidade nas diversas
manifestações, vem culminando com uma briga e pancadaria crescente entre esses
dois segmentos e, melhor, a mídia percebendo tal racha, endossa mais ainda essa
situação em suas reportagens. Não vamos deixar que os discursos se minimizem
entre a briga dos partidários x apartidários. Parece que a mídia focou tanto nesse
fato para que o público endossasse a tese de que partidos não podem se
expressar. E, antes que pensem que estou defendendo alguma causa especial, não
sou de partido nenhum, nem A, nem B, só acho que se realmente queremos caminhar
para uma democracia mais forte, devemos saber viver e trabalhar com as
possibilidades de representação das diversas entidades, partidárias ou não. Afinal,
já está claro que o movimento não tem uma identidade partidária, mas sim uma
identidade civil e social.
Por fim, só queria frisar que foi
muito emocionante o povo na rua. Contudo, é preciso avançar em nossas reflexões,
agora é preciso que os diferentes grupos se falem, dialoguem. Estar presente
nas ruas, mostrando as diferentes reivindicações e bandeiras de um povo é muito
importante, mas não suficiente. Temos que caminhar para o desenvolvimento do
país, mas também para o da representação democrática e do povo. Como disse
Cristovam Buarque, uma das maiores surpresas foi as autoridades se surpreenderem
com as manifestações. Se surpreenderem com a capacidade das pessoas, em um
cenário descrente de uma briga conjunta.
Em coletiva no início dessa
tarde, o governador do RJ, Sérgio Cabral, disse que os atos de vandalismo são
minoritários no movimento e que estão prejudicando o debate. Retomo sua frase e
retorno para ele. Os atos de vandalismo estão prejudicando o debate? Ok, mas,
Governador, você mesmo disse que o vandalismo é minoritário, então, vamos parar
de dar holofotes e manchetes para os vândalos e vamos iniciar o debate. Vamos
lá, porque a pauta é extensa e as mudanças necessárias. Governador, queremos
debater ideias, mas também queremos AÇÕES!


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