Anita
E quando a vi a
primeira vez, já nem me lembro mais quantos anos eu tinha. Só lembro que estava
brincando e eis que vem subindo a escada uma mulher de óculos e com os cabelos
cacheados longos bem enegrecidos. E eis que foi chegado o dia que não precisava
falar “Oi Vó” somente pelas cartas do correio ou então através de uma ligação
do orelhão da esquina que tinha que ser o mais rápido possível para não ir
embora todos os créditos do cartão telefônico.
Eu estava do
lado do Rio chamado Janeiro e, ela, do Rio chamado Grande do Norte. As visitas
ao vivo e a cores tiveram suas limitações, mas a presença se fazia presente.
Claro que a
gente sabe que tem um momento que o corpo já não consegue mais prosseguir, que
a alma quer descansar e que a finitude humana chega ao fim. Os dias vão
passando e, lá dentro do meu coração, eu escutava: “ei, essa é a última vez que
a gente se vê desse lado daqui”... Porém, mesmo sabendo que tá para acontecer...
quando acontece é uma angustia e dor grande que invade a alma e faz o coração
apertar.
“Está tudo bem”,
outra voz lá dentro do coração diz. Onde estiver, ela está feliz. Viveu e amou
como a mulher forte que era. Filh@s, net@s, bisnet@s ficam do lado de cá, mas
do lado de lá, uma grande festa com muita castanha, sequilho, raiva, solda,
guaraná e chocolate a espera e com a presença de seus outr@s filh@s que por lá
estão.
Por aqui a gente
prossegue com a vida: “Vai ficar tudo bem – Gonna be all rigth”.