3.10.16

Anita

E quando a vi a primeira vez, já nem me lembro mais quantos anos eu tinha. Só lembro que estava brincando e eis que vem subindo a escada uma mulher de óculos e com os cabelos cacheados longos bem enegrecidos. E eis que foi chegado o dia que não precisava falar “Oi Vó” somente pelas cartas do correio ou então através de uma ligação do orelhão da esquina que tinha que ser o mais rápido possível para não ir embora todos os créditos do cartão telefônico.

Eu estava do lado do Rio chamado Janeiro e, ela, do Rio chamado Grande do Norte. As visitas ao vivo e a cores tiveram suas limitações, mas a presença se fazia presente.

Claro que a gente sabe que tem um momento que o corpo já não consegue mais prosseguir, que a alma quer descansar e que a finitude humana chega ao fim. Os dias vão passando e, lá dentro do meu coração, eu escutava: “ei, essa é a última vez que a gente se vê desse lado daqui”... Porém, mesmo sabendo que tá para acontecer... quando acontece é uma angustia e dor grande que invade a alma e faz o coração apertar.

“Está tudo bem”, outra voz lá dentro do coração diz. Onde estiver, ela está feliz. Viveu e amou como a mulher forte que era. Filh@s, net@s, bisnet@s ficam do lado de cá, mas do lado de lá, uma grande festa com muita castanha, sequilho, raiva, solda, guaraná e chocolate a espera e com a presença de seus outr@s filh@s que por lá estão.


Por aqui a gente prossegue com a vida: “Vai ficar tudo bem – Gonna be  all rigth”.

Nenhum comentário: