E aqui estou em Paraty, acompanhando duas residentes do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família da ENSP. Conhecer melhor a realidade de saúde de outro município e, mais ainda, conhecer melhor as formas de viver e ter, ou não, saúde em territórios de comunidades tradicionais.
Conhecendo as unidades e serviços de saúde, caminhando pelo centro histórico da cidade, conversando com moradores... Adentrando um pouco mais uma cidade que apesar dos seus um pouco mais de 37 mil habitantes (oficiais), é o ano inteiro cercada por diversos migrantes e turistas que vem buscar em seu litoral os mistérios e prazeres da Baía da Ilha Grande.
Longe de tentar ser um relato preciso das atividades realizadas, traz mais para reflexão e síntese momentos sob os quais parei para pensar mais um pouco...
Longe de tentar ser um relato preciso das atividades realizadas, traz mais para reflexão e síntese momentos sob os quais parei para pensar mais um pouco...
- Gil da Ponta Negra
E pelo desenho esse usuário do CAPS de Paraty vai se expressando e se inventando, nos fazendo lembrar de histórias populares que ficaram lá no fundo da memória guardadas: mula sem cabeça, boi-ta-tá, saci pererê e os fantasmas que passeiam a noite pelas paredes e só os mais antigos viam.
Ao encontro do outro e ouvir o outro precisamos mais.
- Acidente de ônibus em Paraty
E na estrada avistamos uma ambulância, e outra, e outra, e outra... E sem entender muito bem o que tinha acontecido, já tínhamos ficado assustadas, quando soubemos do fato em si, ficamos bem mais abaladas. O fato foi: um ônibus lotado fazendo o trajeto Paraty-Trindade, em uma descida, perdeu o freio e derrapou 50 metros. Esse episódio levou a óbito 15 pessoas e um pouco mais de 40 estão feridas, internadas nos hospitais de Angra, Paraty e Ubatuba.
Além de abalar concretamente os serviços de saúde e querer uma ação que se dê em tempo rápido, abala também a vida cotidiana da cidade e dos moradores e migrantes que nela estão. Três dias oficiais de luto.
O episódio também traz para a discussão um tema que no cotidiano já estava preocupante: "Esses ônibus são horríveis, não tem freio, cinto e vivem lotados". Entendendo a saúde em seu conceito amplo, será que é preciso morrer gente para que as coisas sejam revistas e encaminhadas?
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